O Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) viu aprovados dois projetos inovadores no âmbito do programa “Transform4Europe (T4EU) Seed Funding”, reforçando assim a aposta na investigação aplicada, na inovação pedagógica e na colaboração internacional.
Educação inclusiva: um caminho colaborativo para o ensino superior europeu
Um dos projetos, desginado “Collaborative Pathways to Inclusive Education”, coordenado pelo CEDH/FEP-UCP através do Católica Learning Innovation Lab (CLIL) – uma das quatro Unidades de Investigação e ligação à Comunidade do CEDH -, estrutura-se em duas fases complementares. A primeira consiste numa microcredencial online sobre diversidade e educação inclusiva, com 25 horas (1 ECTS), baseada nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Esta formação visa capacitar docentes e investigadores para identificar e remover barreiras curriculares, criando ambientes de aprendizagem mais equitativos e acessíveis.
A segunda fase prevê a criação de Comunidades de Aprendizagem e Prática (CAP), espaços colaborativos online que promovem a partilha de experiências e a cocriação de estratégias pedagógicas inclusivas. O projeto envolve três universidades parceiras da aliança T4EU: Saarland University (Alemanha), University of Alicante (Espanha) e Vytautas Magnus University (Lituânia).
De acordo com Inês Monteiro, doutoranda em Ciências da Educação na FEP-UCP e responsável pelo projeto, “este financiamento é essencial para criar recursos, envolver parceiros internacionais e oferecer formação acessível a docentes e investigadores das universidades parceiras”. A iniciativa permitirá ainda recolher dados comparativos sobre conceções de inclusão em diferentes contextos europeus, contribuindo para publicações científicas conjuntas e para a melhoria contínua do modelo, concebido para ser escalável e replicável.
Design e bem-estar: espaços públicos pensados para pessoas
O outro projeto, intitulado “WELL-BEING by DESIGN: Where Public Spaces designed with Empathy become Possibilities”, resulta de uma parceria entre o Human Neurobehavioral Laboratory (HNL) – uma das quatro Unidades de Investigação e ligação à Comunidade do CEDH - e a Estonian Academy of Arts (EKA, em parceria com os colegas Ionel Lehari e Marleen Soosaar). A iniciativa propõe um modelo pedagógico interdisciplinar que junta estudantes de Psicologia e Design para desenvolver protótipos de espaços públicos inclusivos, capazes de promover autorregulação emocional, segurança psicológica e bem-estar mental.
Segundo a investigadora responsável pelo projeto na Universidade Católica Portuguesa (UCP), Patrícia Oliveira-Silva, diretora do HNL e docente na FEP-UCP, a ideia surgiu de forma espontânea, numa conversa informal durante um evento da T4EU. “Rapidamente percebemos que, apesar de virmos de áreas diferentes, partilhávamos o interesse em compreender como os espaços que habitamos nos afetam”, explica. A partir dessa reflexão, nasceu um projeto que integra conceitos como regulação emocional, carga cognitiva, stress ambiental e inclusão sensorial, demonstrando que é possível desenhar com base em evidência científica. “Mais do que desenhar espaços, o projeto propõe desenhar experiências. Demonstra que esses conceitos não são abstratos e que podem orientar escolhas reais na forma como desenhamos e habitamos os espaços”, afirma a investigadora.
O projeto prevê a criação de protótipos de espaços públicos em Portugal e na Estónia, bem como a implementação de dois Blended Intensive Programs (BIPs), que promovem aprendizagem interdisciplinar e internacional. Paralelamente, serão produzidas publicações científicas conjuntas sobre psicologia ambiental, design informado por evidência e inovação pedagógica. A nível interno, a iniciativa reforça a colaboração entre três centros de investigação da UCP: CEDH, CIIS (Centro de Investigação Interdisciplinar em Saúde, representado por Maria Vânia Nunes) e CITAR (Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes, representado por José Alberto Gomes), ampliando o ecossistema colaborativo da Universidade.
Para além dos resultados formais, espera-se que estas iniciativas gerem redes informais de colaboração entre estudantes, docentes e investigadores, abrindo caminho a novas parcerias, microcredenciais e práticas pedagógicas inovadoras no espaço europeu.