Maria Francisca Pereira realizou o Estágio Profissional de acesso à Ordem dos Psicólogos Portugueses na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) depois de ter terminado o seu Mestrado em Psicologia com especialização em Psicologia Clínica e da Saúde. Atualmente, o seu trabalho na área da psicologia é diversificado. Exerce funções como psicóloga no UCP2 Mental Health, o Sistema Integrado de Promoção de Saúde Mental da Universidade Católica Portuguesa, onde se dedica à avaliação e intervenção psicológica com jovens adultos, área na qual já tinha tido hipótese de desenvolver e consolidar conhecimentos durante o Estágio Profissional. Paralelamente, participa no desenvolvimento e dinamização de iniciativas de promoção e prevenção da saúde mental e do bem-estar da comunidade académica.
Entre consultas de acompanhamento psicológico, momentos de reflexão, reuniões de equipa, e colaboração em iniciativas que têm como objetivo a promoção da saúde mental da comunidade académica, a nossa alumna constrói um quotidiano orientado para a resposta às necessidades dos estudantes.
Da teoria à intervenção diária
Ao recordar o seu percurso académico na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica no Porto, quer na Licenciatura quer no Mestrado, sublinha a importância das oportunidades complementares que acompanham a formação em Psicologia, destacando o impacto das iniciativas de voluntariado e de serviço comunitário que integrou ao longo da Licenciatura e do Mestrado. Uma das experiências mais marcantes teve lugar logo no 1º ano da Licenciatura, quando realizou voluntariado na urgência de adultos do Hospital de São João.A formação na FEP-UCP revelou-se determinante para o seu desenvolvimento pessoal e profissional, oferecendo um ambiente rigoroso, próximo e profundamente orientado para a integração entre a teoria e a prática. A relação próxima com os docentes, muitos deles psicólogos no ativo, proporcionou um acompanhamento individualizado que enriqueceu a aprendizagem e reforçou a ligação à realidade da profissão. Tal como recorda, “foi um contexto que estimulou o pensamento crítico, a curiosidade intelectual e a reflexão sobre o papel da Psicologia na sociedade”, tornando esta etapa académica num elemento transformador do seu percurso.
Hoje, na prática profissional, reconhece que os fundamentos trabalhados em sala de aula se tornaram essenciais na prática diária. “Um psicólogo deve ser um bom ouvinte e isso reflete-se não apenas em saber ouvir, mas em estar por inteiro lá para apoiar e compreender a pessoa”, sublinha. Destaca outra competência crucial, a empatia, que se traduz na capacidade de reconhecer o impacto que diferentes experiências têm em cada pessoa e de ajustar a avaliação e intervenção mais adequadas.
Existe ainda algo que Maria Francisca Pereira considera determinante: a vontade contínua de aprender. Uma atitude que, acredita, levou da formação académica para a vida profissional, e que continua a orientar os passos da sua intervenção diária, destacando mesmo que “com o tempo percebemos que essa aprendizagem constante faz parte da própria identidade profissional do psicólogo”.
Transformações que dão sentido ao trabalho de um psicólogo
Para a nossa alumna, um dos aspetos mais marcantes da prática clínica é “acompanhar os processos de mudança nas pessoas, por mais pequenos que pareçam”. Ao longo das sessões, torna-se evidente para a psicóloga o momento em que uma pessoa começa a compreender melhor o que sente e encontra novas formas de lidar com as suas dificuldades.Enquanto psicóloga, o facto de poder testemunhar estes progressos discretos, mas com impacto real na vida das pessoas, e participar no crescimento pessoal de cada indivíduo que procura apoio, é uma das dimensões mais gratificantes da sua profissão.
Assim, a principal motivação do seu trabalho reside na possibilidade de contribuir para o bem-estar das pessoas, num momento decisivo do seu percurso pessoal e/ou académico. No contexto universitário, onde surgem desafios próprios desta fase de transição, Maria Francisca valoriza a oportunidade de apoiar processos de desenvolvimento e de promover uma maior capacidade de resposta às exigências do quotidiano.
Psicologia: uma profissão em crescimento contínuo
Olhando para o futuro da Psicologia em Portugal, a alumna antevê que se torne uma área cada vez mais relevante, impulsionada pela crescente atenção dada à saúde mental e pela abertura de novas áreas de intervenção. Destaca a importância de normalizar o cuidado psicológico, enfatizando que pedir ajuda não deve ser encarado como um gesto de fragilidade. Considera essencial que os profissionais continuem a trabalhar para reforçar esta consciencialização, enquanto cultivam a aprendizagem contínua e a colaboração interdisciplinar.Aos estudantes de Psicologia deixa um conselho simples, mas crucial: “aproveitem ao máximo o percurso académico e mantenham uma atitude curiosa e aberta à aprendizagem”. Recorda ainda que a área da Psicologia exige não só conhecimento científico, mas também uma profunda capacidade de escuta, reflexão e compreensão do outro, competências que se constroem ao longo de cada experiência académica e profissional. Por fim, incentiva os estudantes a encarar o percurso de aprendizagem como um processo de autoconhecimento que acompanhará toda a sua vida profissional.