Deadline: 31 de agosto de 2022
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As visões e a participação das crianças e dos jovens são essenciais para a melhoria das escolas e da educação (Amorim & Azevedo, 2018). O que podemos chamar movimento student voice apresenta-se sob modelos muito diversos acerca do que é que se entende por ter voz e por participação das crianças e dos jovens. Escutar a sua voz, em contexto escolar, não é, pois, questão de simples enunciação, uma vez que o protagonismo que os alunos assumem remete para modelos de educação (cívica) radicalmente diferentes (Susinos & Ceballos, 2012). Vejamos: qual é objeto da participação (do âmbito curricular ao da representação nas estruturas da escola), em que territórios se desenvolve (aula, escola, aprendizagem-serviço, participação sociocomunitária), como se concretiza a participação e de que formas se reveste, com que padrões se apresenta, o que é que a participação permite expressar e o que é que silencia, quem participa e quem permanece calado ou relegado, com que autonomia e com que liberdade é que participam os alunos? Como é que a participação chega à sala de aula e às estratégias de ensino e aprendizagem (Vattoy & Gamlem, 2019)? Os modelos didáticos estão a ser alterados (Cabral & Alves, 2016)?
De facto, a participação dos alunos pode ocorrer num contexto mais ou menos marginal das instituições escolares, como práticas intermitentes, condescendentes e ineficazes (Fielding, 2012, p.45), como forma de ouvir a voz dos que têm sempre voz, ou, de outro modo, como decisões profundas e amplas em ordem ao desenvolvimento das escolas como instituições hospitaleiras, democráticas e justas, nas quais adultos e jovens vivem e aprendem a democracia juntos (ibidem, p.47), com proximidade e respeito mútuo, como se estivéssemos a ouvir o bater do coração da ação educativa.
Há algo que parece ser hoje cada vez mais evidenciado: aprende-se imenso com e dos alunos, essas “testemunhas peritas” das suas próprias experiências de escolarização (Lodge, 2005, p. 129).
Este número da RPIE volta, assim, a este importante núcleo problemático da educação, uma vez que o caminho percorrido é ainda muito curto face ao que será preciso percorrer. Queremos conhecer novas pesquisas sobre novas práticas, sobre novos modos de participação dos alunos nas escolas, sobre novos modos de direção e gestão das escolas, desde a sala de aula à organização escolar, assim como novos contributos teóricos para pensar esta mesma problemática, em ordem a uma escola sempre mais democrática e justa.
Referências
Amorim, J. & Azevedo, J. (2017). Lições dos alunos: o futuro da educação antecipado por vozes de crianças e jovens. Revista Portuguesa de Investigação Educacional, 17, 61-97. https://doi.org/10.34632/investigacaoeducacional.2017.3434
Cabral, I. & Alves. J. M. (2016). Um modelo integrado de promoção do sucesso escolar (MIPSE) – a voz dos alunos. Revista Portuguesa de Investigação Educacional, 16, 81-113. https://doi.org/10.34632/investigacaoeducacional.2016.3422
Fielding, M. (2012). Beyond student voice: patterns of partenership and the demands of deep democracy. Revista de Educación, 359, 45-65.
Lodge, C. (2005). From hearing voices to engaging dialogue: problematising student participation in school improvement. Journal of Educational Change, 6, 125-146. https://doi.org/10.1007/s10833-005-1299-3
Susinos T. & Cebollos N. (2012). Voz del alumnado y presencia participativa em la vida escolar. Apuntes para uma cartografia de la voz del alumnado em la mejora educativa. Revista de Educación, 359, 24-44. https://doi.org/10.4438/1988-592X-RE-2012-359-194
Vattoy, K-D. & Gamlem, S. (2019). Teachers’ regard for adolescent perspectives in feedback dialogues with students in lower-secondary schools. Nordisk tidsskrift for utdanning og praksis, 13[2], 39–55. https://doi.org/10.23865/up.v13.1970
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