A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) publicou recentemente o documento "Psicadélicos e Saúde Mental: Definições, Evidências e Recomendações para Psicólogos e Psicólogas", que aborda o potencial terapêutico das substâncias psicadélicas no tratamento de diversas condições de saúde mental. A docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP), M. Carmo Carvalho, participou na elaboração deste importante documento.
Uma reflexão baseada na evidência científica
A publicação da OPP surge num momento em que a investigação científica tem demonstrado o potencial terapêutico de substâncias como a psilocibina, ácido D-lisérgico (LSD), metildioximetanfetamina (MDMA), cetamina e dimetiltriptamina (DMT/Ayahuasca) no alívio relevante de sintomatologia de diversas condições de saúde mental, incluindo depressão resistente, perturbação de stresse pós-traumático e comportamentos aditivos. O documento tem como principal objetivo fornecer informações baseadas na evidência científica e apresentar recomendações para a prática dos psicólogos neste emergente campo de intervenção num momento em que, no nosso país, a regulação da psicoterapia assistida por psicadélicos se encontra ainda limitada ao uso de cetamina.
De acordo com M. Carmo Carvalho, "as condições em que o potencial terapêutico dos psicadélicos pode ser aproveitado em saúde mental estão, neste momento, a ser clarificadas, com protocolos cada vez mais suportados em evidência científica". Este avanço abre novas oportunidades para a intervenção dos psicólogos, tornando essencial a formação e regulação da sua atividade nesta área.
A participação da docente da FEP-UCP como consultora e revisora do documento
M. Carmo Carvalho foi convidada a colaborar na elaboração do documento devido à sua colaboração regular com organizações no nosso país que promovem a divulgação da ciência psicadélica, como a Safe Journey, a SPACE Portugal e a Associação Kosmicare, da qual foi co-fundadora. O convite surgiu no seguimento de uma abordagem da Safe Journey à OPP, que recomendou o seu nome como consultora e revisora do relatório.
“As minhas intervenções no documento foram no sentido de se clarificarem os conceitos que são transversalmente alusivos às substâncias psicoativas que, genericamente, estudo há décadas e que são o meu principal tema de investigação”, refere.
A Professora da Faculdade de Educação e Psicologia da Católica no Porto clarificou também quais os níveis de intervenção dos psicólogos nesta matéria, e que vão desde a psicoeducação, até à preparação da Psicoterapia Assistida por Psicadélicos (PAP), integração de experiências (deliberadas ou não), e intervenção em emergências psicológicas.
Uma publicação de referência para os profissionais da Psicologia
O relatório, publicado em janeiro de 2025, já está disponível para consulta no website da OPP. A iniciativa representa um marco importante na atualização e capacitação dos profissionais de Psicologia para um campo que poderá revolucionar a intervenção em saúde mental nos próximos anos.