A cultura organizacional das startups em Portugal: artigo revela cultura empreendedora como a mais saliente

Quarta-feira, Novembro 23, 2022 - 16:56

Caracterizar as perceções de cultura dos trabalhadores de startups em Portugal foi o principal objetivo do artigo intitulado “Cultura organizacional e a perceção de autonomia e excesso de trabalho em contexto de Startups”, que resulta da tese de mestrado de Manuel Dala, alumnus do Mestrado em Psicologia e Desenvolvimento de Recursos Humanos da Faculdade de Educação e Psicologia, e que conta também com as docentes e investigadoras Filipa Sobral e Catarina Morais como autoras.

O artigo revela que a cultura empreendedora (inovação e rápida resposta às alterações do meio) é a mais saliente no seu contexto laboral. Além disso, quanto mais presente é esta tipologia de cultura, bem como a cultura de equipa (cujo centro está em torno da entreajuda e coesão), nestes contextos de trabalho, mais positiva a perceção dos trabalhadores sobre a sua autonomia para a realização das tarefas. Relativamente ao excesso de trabalho, apenas a cultura de equipa prediz negativamente esta variável; na cultura empreendedora esta relação não se dá.

Para este estudo foram inquiridos 292 trabalhadores de startups em Portugal, através dos quais se pretendeu compreender a relação entre as características de cultura percecionada e a autonomia e o excesso de trabalho sentido por estes trabalhadores nas funções que exercem.

A combinação entre a cultura empreendedora e a de equipa previne o excesso de trabalho

As características inerentes à cultura empreendedora são percebidas como promotoras de autonomia pelos trabalhadores de startups. No entanto, isso não está associado a uma menor carga de trabalho. Por este motivo, a combinação das características de cultura empreendedora com a cultura de equipa parece ser a fórmula que melhor previne o excesso de trabalho sentido por estes trabalhadores, cuja flexibilidade e autonomia associada aos ambientes de trabalho das startups podem ajudar a mascarar.

O contexto empresarial das startups é uma temática pouco explorada na literatura académica. Ao prestar atenção à cultura destas empresas é possível minimizar potenciais riscos psicossociais para os seus trabalhadores.