Pode a empatia transformar o ensino superior? Como garantir dignidade no trabalho num contexto de crescente precariedade? Estas foram algumas das questões centrais levadas pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) à 5.ª edição da International Week da Universitatea Babeș-Bolyai (UBB), em Cluj-Napoca, Roménia.
Entre os dias 12 e 16 de maio de 2025, docentes e estudantes de diversas instituições europeias reuniram-se para refletir sobre as novas tendências da Psicologia e das Ciências da Educação, num evento que se revelou um espaço vivo de partilha, colaboração e reimaginação do que significa ensinar e aprender em contextos internacionais.
A Faculdade de Educação e Psicologia esteve representada pelas docentes Patrícia Oliveira-Silva e Filipa Sobral.
Neurociência e empatia: uma nova visão para a educação internacional
Patrícia Oliveira-Silva, responsável pelo pelouro da Internacionalização da Faculdade, inaugurou a semana com uma conferência sobre neurociência, empatia e pertença no ensino superior.
Na comunicação “Neuroscience of Belonging: Using empathy and neuroscience to rethink international education”, Patrícia Oliveira-Silva explorou o impacto real da exclusão social no cérebro humano e a importância da empatia no desenvolvimento de experiências educativas internacionais.
“A exclusão ativa as mesmas áreas cerebrais da dor física. Não é apenas uma metáfora. É biologia”, explicou. “É fundamental criarmos ambientes académicos onde os estudantes se sintam vistos, incluídos e emocionalmente seguros.”
A sua intervenção destacou que pequenos gestos, como um nome mal pronunciado, uma referência cultural mal interpretada ou um momento de exclusão num trabalho de grupo, podem afetar profundamente a vivência de estudantes internacionais. “A empatia não é um detalhe opcional. É uma competência essencial no ensino superior global.”
Além da sua participação na sessão de abertura, a docente dinamizou o workshop “The Brain-Inspired Classroom”, centrado na aplicação prática de princípios das neurociências cognitiva e afetiva no ensino.
Técnicas como a repetição espaçada, a evocação ativa e a ligação emocional à aprendizagem foram exploradas com docentes de várias nacionalidades.
Precariedade digital e saúde mental no trabalho
A investigadora Filipa Sobral participou na sessão de comunicações com a apresentação “From Flexibility to Precarity? The Evolution of Work from Temporary Employment to Digital Platform Labour”. A sua intervenção abordou a transição de modelos laborais estáveis para formas de trabalho mais flexíveis, mas muitas vezes marcadas pela precariedade, fragmentação e controlo algorítmico oculto.
“A autonomia prometida convive com um controlo invisível que pressiona os trabalhadores, afetando a sua saúde mental e o seu equilíbrio de vida.”, afirma.
Sobral sublinhou ainda a ausência de regulação específica para os trabalhadores das plataformas digitais e defendeu o papel da Psicologia Organizacional na promoção de políticas laborais baseadas em evidência. A investigadora destacou também a importância de inovar nas metodologias de investigação, utilizando abordagens como a etnografia digital e estudos qualitativos longitudinais.
Durante a semana, a FEP-UCP marcou ainda presença em várias sessões e fóruns, incluindo a conferência FOHE 2025 – The Future of Higher Education, que proporcionou uma reflexão estratégica sobre os desafios do ensino superior europeu num contexto global.
Internacionalização como compromisso humano e estratégico
A participação da FEP-UCP neste evento representou mais do que a presença numa rede europeia de instituições de ensino superior — foi uma afirmação clara da sua visão para a internacionalização: intencional, integrada e humana.
Além da representação docente, a FEP-UCP contou com a participação de estudantes da licenciatura em Psicologia, no âmbito de um programa BIP (Blended Intensive Programme), que participaram em workshops sobre diversidade, bem-estar, identidade intercultural e cidadania global.
“A nossa presença mostrou o que nos distingue: uma abordagem à internacionalização que não se limita a números ou metas, mas que se centra em criar relações autênticas e oportunidades reais de crescimento partilhado”, sublinhou Patrícia Oliveira-Silva.
Foram também estabelecidos contactos com instituições da Suécia, Alemanha, Roménia e Estados Unidos, com potencial para futuras colaborações em mobilidade, projetos de investigação e ensino conjunto.
Mais do que uma experiência académica, esta semana em Cluj-Napoca foi uma oportunidade para reforçar o papel da FEP-UCP como uma instituição ativa na construção de uma educação superior global, inclusiva e transformadora.







