O evento também marcará o lançamento de um Manual sobre Riscos Psicossociais no Trabalho, contando com um capítulo da sua autoria*.
Dar visibilidade à evolução das formas de organização do trabalho e aos fatores de risco que delas decorrem constitui uma das preocupações centrais dos instrumentos concebidos com o propósito de sustentar a avaliação das relações entre o trabalho e a saúde.
O Inquérito Saúde e Trabalho (INSAT) foi precisamente concebido com o intuito de “compreender de que forma os trabalhadores avaliam as características e as condições do seu trabalho, o seu estado de saúde, e que tipo de relações estabelecem entre a sua saúde e o seu trabalho” (Barros-Duarte, Cunha, Lacomblez, 2007, p.59). A abordagem prosseguida insurge-se contra uma visão compartimentada da avaliação de riscos, assumindo necessariamente uma orientação global, multidimensional e integradora.
É nesta perspetiva que o INSAT2013 procura ultrapassar as tradicionais práticas de avaliação de riscos e do seu impacto na saúde e no bem-estar, reforçando uma abordagem mais centrada no vivido subjetivo pelo trabalhador e, portanto, mais tradutora de uma postura que considera que a avaliação de riscos integra os fatores psicossociais de risco, mas também todos aqueles que intervêm na atividade humana de trabalho, e que podem fragilizar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
As possibilidades de ação que se abrem com o uso do INSAT traduzem uma dupla valência – da avaliação e da intervenção no trabalho – assumindo que o espaço de debate criado por este instrumento seja alargado ao espaço-empresa, tendo em vista a melhoria das condições em que esse trabalho é realizado.