O relatório reúne orientações estratégicas para apoiar as organizações na adaptação ao envelhecimento da força de trabalho, uma transformação estrutural que exige novas formas de pensar as carreiras, o bem‑estar e a sustentabilidade organizacional.
Segundo o documento, promover a longevidade laboral significa criar condições para que as pessoas possam continuar a trabalhar, de forma voluntária, saudável e com sentido de propósito, mesmo para além da idade legal da reforma.
Organizações precisam de estratégias estruturadas para enfrentar o envelhecimento da força de trabalho
Para António Fonseca, as conclusões do relatório evidenciam “um conjunto de oportunidades claras de intervenção que podem melhorar a sustentabilidade, a produtividade e o bem‑estar das pessoas ao longo de toda a vida laboral”. Sublinha que a longevidade laboral exige muito mais do que reter profissionais mais velhos. Implica “redesenhar práticas, políticas e culturas para garantir carreiras mais longas, saudáveis e produtivas”.Esta visão vai ao encontro das recomendações da OPP, que apelam ao reconhecimento do envelhecimento como uma realidade estrutural e à adoção de modelos organizacionais orientados para o ciclo de vida. Sem práticas ajustadas ao ciclo de vida, as organizações arriscam perder talento e comprometer a sua sustentabilidade, salienta o Professor António Fonseca. O documento reforça ainda que “os/as trabalhadores/as mais velhos/as não são um grupo homogéneo”, apresentando necessidades, motivações e condições muito diversas, o que exige políticas diferenciadas e baseadas na auscultação real das suas necessidades.
Gestão do conhecimento e combate ao idadismo como prioridades estratégicas
Questionado sobre as recomendações apresentadas, o docente da FEP-UCP destaca como prioridade a criação de sistemas de gestão do conhecimento organizacional, afirmando que esta medida atua diretamente sobre o risco estrutural mais evidente: a perda de know‑how associada à saída de trabalhadores experientes. O documento da OPP alerta precisamente para o impacto desta perda na produtividade e continuidade das organizações.Sobre o seu contributo para o relatório, António Fonseca explica: “O meu papel foi ajudar a interpretar e a transformar o conteúdo em conhecimento aplicável à luz de uma perspetiva psicológica de ciclo de vida”. Olhando para o futuro, identifica três pilares essenciais para a intervenção nesta área em Portugal: “valorizar a experiência, proteger a saúde ao longo da vida laboral e garantir a inclusão tecnológica e social dos trabalhadores mais velhos através do combate ao idadismo”.
O documento da OPP, que contou com a colaboração de António Fonseca e de Inês Carneiro e Sousa, constitui um guia estratégico para organizações que pretendam preparar‑se para carreiras mais longas e equipas intergeracionais.