Psicologia no Cinema: 4 filmes a não perder

Quarta-feira, Julho 9, 2025 - 16:06

O cinema é uma poderosa janela para a alma humana, capaz de nos transportar para diferentes realidades e, simultaneamente, desafiar a nossa perceção sobre nós próprios e o mundo. Na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP), acreditamos que a sétima arte é uma ferramenta valiosa para explorar os complexos meandros da mente e do comportamento humano.

Neste artigo, convidamos a nossa comunidade académica a embarcar numa viagem cinematográfica com quatro filmes que, de diferentes perspetivas, nos propõem uma reflexão sobre temas psicológicos profundos e universais. As sugestões são de Marisa Costa, membro do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da FEP-UCP.

Her – Ela (2013)

Num futuro (próximo) Theodore tem como trabalho a escrita de postais, sempre com um tom emocional. Após o divórcio, Theodore torna-se um indivíduo solitário que se apaixona por um sistema operacional com inteligência artificial chamado Samantha, que foi projetado para evoluir emocionalmente. À medida que a relação evolui, Theodore é confrontado com questões sobre o amor, identidade e a natureza das ligações humanas. Este filme desafia-nos a refletir a vários níveis: o que procuramos numa relação? Até que ponto a tecnologia pode (ou deve) preencher vazios emocionais? Que oportunidades e ameaças a inteligência artificial acrescenta à “evolução” do ser humano?

La Vie D’ Adèle (2013)

Adèle é uma adolescente que namora com Thomas, contudo, quando conhece Emma, desenvolve uma atração emocional e sexual. Através da sua relação intensa com Emma, o filme explora temas importantes como aceitação da homossexualidade, reconhecimento do próprio corpo, construção da identidade, desigualdade de género e preconceito.

Into the Wild (2007)

Christopher McCandless, um jovem recém-licenciado, que rejeita os valores da sociedade moderna, decide abandonar a família (rica) e partir numa busca solitária pela liberdade e autenticidade, isolando-se na natureza selvagem do Alasca. Sob uma perspetiva psicológica, o filme proporciona a exploração de temas como a individualidade, o trauma familiar, a busca de sentido para a vida e a tensão entre autonomia e conexão humana.

Ladybird (2017)

Christine, que se autodenomina “Lady Bird”, é uma adolescente no seu último ano do secundário, que se confronta com vários desafios próprios da adolescência, como a construção da identidade, incerteza face ao futuro profissional, a relação com a mãe-filha. Ao longo da história, estão, assim, evidenciados conflitos internos e externos típicos da transição para a vida adulta, nomeadamente a procura de autonomia, necessidade de pertença e o desejo de validação externa.